A incrível relação da morte e as redes sociais

A incrível relação da morte e as redes sociais

Sou jornalista por formação e moro na cidade de Santos, local do acidente fatal com Eduardo Campos e sua equipe. No momento do ocorrido estava em São Paulo, porém acompanhei todo o desdobramento do caso nas redes sociais. Neste artigo, irei abordar tanto o jornalismo quanto o marketing. Este último, do ponto de vista totalmente profissional.

Os veículos de comunicação e as redes sociais

Nas redes sociais não cabe só a um jornalista dar um furo. Basta um celular para registrar um fato ou imagem inédita sobre qualquer fato. Por isso, o jornalismo deve manter sua essência de apurar os fatos, procurar fontes confiáveis e informar a todos de maneira consciente.

Obviamente que, principalmente as fanpages locais, vão ter informações diretas de curiosos e moradores. Isto marca instantaniedade, porém isso não é jornalismo. O que se viu na tragédia mais impactante que já vi na minha cidade é que a imprensa, de maneira geral, está despreparada para tentar, ao mesmo tempo, fazer jornalismo e noticiar os fatos em tempo recorde.

Sei que deve se manter o timing, porém, não é ruim publicar uma foto, um relato do fato e que as informações estão sendo apuradas para divulgação. Perder a credibilidade, como aconteceu, é algo inaceitável. Confesso que em determinado momento eu já não sabia mais no que acreditar com o mix de informações soltas e confusas sobre o caso.

O poder da palavra

Quando você é uma personalidade ou autoridade, o cuidado nas redes sociais deve ser redobrado. Tivemos muitas brincadeiras infelizes e comentários desnecessários sobre a tragédia. Porém, observe só a publicação abaixo de um pastor, que deveria pregar a palavra de Deus. Ele se desculpou depois sobre o ocorrido, no entanto na internet não há desculpas em casos como esse. Afinal, a internet deixa pegadas que não podem ser apagadas.

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O marketing e o lado frio da tragédia

Empresas de todo o país estão nas redes sociais buscando diariamente vendas, divulgação de produtos e serviços ou se relacionar com os seus clientes. Porém, num momento como esse, os profissionais que atuam nas redes sociais devem ter agilidade e muita frieza para saber como agir.

Em apenas 2 semanas foram 3 mortes de pessoas famosas: Fausto Fanti (Hermes & Renato), Robin Williams e agora Eduardo Campos. Em todos os casos, estes assuntos praticamente monopolizaram a timeline de todas as redes sociais. Por isso, cito algumas providências básicas a serem seguidas:

1- Reagendar publicações

Verificar seu calendário de publicações é o ponto número 1. Fazer uma publicação em um momento destes é transformar o seu post em algo invisível. Avalie as condições do fato ocorrido e tente fazer prognósticos. É mais sensato agendar suas publicações para mais tarde ou adiá-las para o dia seguinte.

2 – Verifique atentamente suas publicações

Coincidências e infelicidades acabam acontecendo. Reúna pelo menos 3 profissionais, avalie todas as interpretações das publicações que vêm a seguir e observe se ela pode ser mal interpretada pelo público.

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Um caso recente de uma infeliz coincidência foi o poster de divulgação do filme Tartarugas Ninjas na Austrália. A Paramount regional divulgou a imagem em que os heróis escapam de um prédio em chamas. Detalhe: o filme estréia de 11 de setembro no país.

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A Rede Globo também passou por situação parecida. A equipe de marketing programou uma ação da série Pé Na Cova em que os usuários podem criar lápides interativas. Tudo bem se a publicação não tivesse ido ao ar junto com a tragédia da boate de Santa Maria, em que mais de 200 pessoas perderam suas vidas.

3- Publicações sobre o assunto do momento

Há muitas empresas que tentam pegar carona no assunto do momento e podem errar o caminho. Se uma pessoa ver que há interesse por trás, uma crise pode estar instalada.

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Apesar de não ser bem uma tragédia, o apresentador Luciano Huck passou por um momento delicado na ação contra o racismo promovida por Neymar no caso “Somos todos macacos”. Muitas pessoas viram oportunismo no lançamento da camiseta com a sua marca.

4- Cuidado com o público

Se as pessoas fazem piadas e brincadeiras infelizes com a morte, imagina o que elas podem fazer contra a sua empresa. O caso do Subway e seu sanduíche de 13cm, por exemplo, gerou inúmeras piadas nas redes sociais.

Lembre-se: basta uma publicação ou alguns caracteres para destruir, mesmo que momentaneamente, sua empresa ou veículo de comunicação. Clique aqui e veja a página do Facebook que temos para ajudar empresas, profissionais e estudantes.

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